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Pedro Bandeira é o mais novo “baixinho” da Xuxa. Foi a ela que o escritor confiou a adaptação cinematográfica de um de seus maiores sucessos editoriais, “O fantástico mistério de Feiurinha” – livro lançado em 1986, que vendeu mais de 2,6 milhões de exemplares e ganhou o prêmio Jabuti de Literatura.
Dirigido por Tizuka Yamasaki, “Xuxa em o mistério de Feiurinha” estreia nesta sexta-feira (25) e, além de ter no elenco nomes populares da TV como Angélica, Luciano Huck e Hebe Camargo, marca a estreia de Sasha Meneghel, a filha da apresentadora, como atriz.
A garota de 11 anos interpreta a Feiurinha do título, princesa que corre o risco de cair no esquecimento porque nunca teve sua história contada em livro. Para evitar que isso aconteça, Cinderela (Xuxa), Rapunzel (Angélica) e Branca de Neve (Daniele Valente) se unem e vão para o mundo real procurar um escritor.
Bandeira garante que a ideia de escalar Sasha como protagonista foi sua. Se dependesse de Xuxa, o papel seria dado a top model Gisele Bündchen. “A Sasha é a Feiurinha”, garante o escritor, confiante no êxito do longa.
“A droga da obediência” teve os direitos adquiridos pela Gullane Filmes (de “Carandiru” e “O ano em que meus pais saíram de férias”) e a própria Tizuka Yamasaki pretende levar às telas a história de “Garrote, menino coragem”.
“Os contratos estão prontos, só precisa mesmo arranjar a verba para as filmagens. Acho que em dois anos começam a rodar”, comemora.
Enquanto isso, Bandeira finaliza seu próximo livro, “Kindlin na floresta encantada”, que deve ser lançado no primeiro semestre pela Editora Moderna.
Na entrevista a seguir, o autor fala sobre Xuxa, Sasha, literatura infantil e sobre os fenômenos “Crepúsculo” e “Harry Potter”.
G1 – ‘O fantástico mistério de Feiurinha’ é sucesso editorial, ganhador de prêmios. Você ficou receoso que o resultado do filme pudesse comprometer a trajetória consolidada do livro?
Pedro Bandeira – Quando me ligaram achei até que fosse trote. Aquele papo de Xuxa, Globo Filmes, Conspiração, todos de uma vez querendo levar para o cinema um livro que lancei há tanto tempo… Levei um susto! Depois comecei a pensar se deveria eu mesmo escrever o roteiro. E o conselho que ouvi foi: “Pedro, essa não é sua praia, não te mete, cinema não é literatura”. Inclusive o [cineasta] Ugo Georgetti me disse isso. Quando escrevo um livro – e sempre tem aquela parte da história que não engrena – fico à beira de um enfarte, de tão irritado! Tenho muito sucesso, não posso pisar na bola. Imagina se eu me metesse a fazer uma coisa que não sei?
G1 – O filme tem várias passagens que não estão no livro. Não bateu um ciúme quando você viu essas alterações na sua história?
Bandeira – Meu livro não daria um longa-metragem. Talvez um média. Por isso, foi preciso acrescentar passagens. Confiei no roteirista Claudio Lobato, porque fiquei sabendo que ele era da equipe que fazia o “Sítio do pica-pau amarelo” e o cara ainda é descendente do Monteiro Lobato! O rapaz tem a coisa no sangue! No meu livro, as heroínas dos contos de fadas são todas casadas com os príncipes da família ‘Encantado’, que só existe para fornecer os rapazes para os finais felizes das mocinhas. Então o pessoal do filme fez uma coisa brilhante: criou uma “Rainha Mãe”, que é a sogra de todas as princesas e vive pegando no pé das noras. E ainda por cima a personagem é interpretada pela Hebe Camargo! Ficou uma coisa gozadíssima!
“Levei mais de 20 anos para vender dois milhões de cópias desse livro e a Xuxa vai fazer isso em uma semana. Ela vai bater ‘Avatar’!”, diz ele, citando o filme de James Cameron, atual campeão das bilheterias brasileiras, visto por mais de 750 mil espectadores.
A aposta do escritor faz sentido, levando em conta que os 16 filmes da apresentadora já atraíram mais de 36 milhões de fãs e ela ainda detém o título de campeã de bilheteria da retomada – fase de crescimento da produção nacional, iniciada em 1995.
Bandeira também agradece à Xuxa por ter lhe aberto as portas do universo cinematográfico. Depois de “Feiruinha”, dois outros livros seus vão virar filme.
“A droga da obediência” teve os direitos adquiridos pela Gullane Filmes (de “Carandiru” e “O ano em que meus pais saíram de férias”) e a própria Tizuka Yamasaki pretende levar às telas a história de “Garrote, menino coragem”.
“Os contratos estão prontos, só precisa mesmo arranjar a verba para as filmagens. Acho que em dois anos começam a rodar”, comemora.
Enquanto isso, Bandeira finaliza seu próximo livro, “Kindlin na floresta encantada”, que deve ser lançado no primeiro semestre pela Editora Moderna.
Na entrevista a seguir, o autor fala sobre Xuxa, Sasha, literatura infantil e sobre os fenômenos “Crepúsculo” e “Harry Potter”.
G1 – ‘O fantástico mistério de Feiurinha’ é sucesso editorial, ganhador de prêmios. Você ficou receoso que o resultado do filme pudesse comprometer a trajetória consolidada do livro?
Pedro Bandeira – Quando me ligaram achei até que fosse trote. Aquele papo de Xuxa, Globo Filmes, Conspiração, todos de uma vez querendo levar para o cinema um livro que lancei há tanto tempo… Levei um susto! Depois comecei a pensar se deveria eu mesmo escrever o roteiro. E o conselho que ouvi foi: “Pedro, essa não é sua praia, não te mete, cinema não é literatura”. Inclusive o [cineasta] Ugo Georgetti me disse isso. Quando escrevo um livro – e sempre tem aquela parte da história que não engrena – fico à beira de um enfarte, de tão irritado! Tenho muito sucesso, não posso pisar na bola. Imagina se eu me metesse a fazer uma coisa que não sei?
G1 – O filme tem várias passagens que não estão no livro. Não bateu um ciúme quando você viu essas alterações na sua história?
Bandeira – Meu livro não daria um longa-metragem. Talvez um média. Por isso, foi preciso acrescentar passagens. Confiei no roteirista Claudio Lobato, porque fiquei sabendo que ele era da equipe que fazia o “Sítio do pica-pau amarelo” e o cara ainda é descendente do Monteiro Lobato! O rapaz tem a coisa no sangue! No meu livro, as heroínas dos contos de fadas são todas casadas com os príncipes da família ‘Encantado’, que só existe para fornecer os rapazes para os finais felizes das mocinhas. Então o pessoal do filme fez uma coisa brilhante: criou uma “Rainha Mãe”, que é a sogra de todas as princesas e vive pegando no pé das noras. E ainda por cima a personagem é interpretada pela Hebe Camargo! Ficou uma coisa gozadíssima!
G1 – O senhor assistiu as adaptações de “Harry Potter” e “Crepúsculo”? Acha que são bons livros?
Bandeira – “Crepúsculo” não assisti, mas vou ver. Por uma questão profissional, até. Não gosto de vampiros. Cheguei a fazer umas pesquisas quando era jovem, mas não me interessei muito. Já “Harry Potter” é incrível, a autora merece todo o sucesso que tem. Mas os filmes não são tão bons quanto os livros. Eles deveriam ser feitos pelo Spielberg e aquele atorzinho [Daniel Radcliffe] é muito fracote… Aquele menino do filme “O sexto sentido” [Haley Joel Osment] faria muito melhor o papel. Mas minhas netas não param de ver esse filme, até saio da sala. Fazer o quê?
G1 – “Feiurinha” conta a história de uma princesa esquecida. Você acha que a crianças desta geração não gostam tanto dos contos de fadas?
Bandeira – As melhores histórias infantis vieram da tradição oral. Adultos, possivelmente as mães, contavam histórias pra fazer seus filhos dormirem e com o tempo, de tanto essas histórias serem repetidas, elas acabavam sendo registradas pelos escritores, como os irmãos Grimm, por exemplo. ‘O fantástico mistério de Feiurinha’ na verdade é uma grande homenagem que fiz a esses contadores de histórias que nunca conheceremos. Porque primeiro vieram eles, depois os livros. É uma homenagem também ao leitor, não existe livro sem leitor. Sempre existirá aquela criança que gosta de ouvir uma história antes de dormir.
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